Pescador é absolvido após passar mais de 1 ano preso por crime que diz não ter cometido: 'tratado como lixo'

  • 15/01/2022
(Foto: Reprodução)
Absolvição ocorreu após advogado pedir revisão criminal, depois de vítimas dizerem que não podiam mais afirmar com certeza que reconheceram a pessoa certa pelo crime. Pescador foi absolvido após passar mais de 1 ano preso por crime que diz não ter cometido Arquivo Pessoal O pescador Efrain Alves Pereira, de 46 anos, passou mais de um ano preso por um crime que diz não ter cometido, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Ele já havia sido condenado, mas foi absolvido pela Justiça nesta semana, após o advogado de defesa pedir uma revisão criminal do caso, depois de as vítimas dizerem que não podiam mais afirmar com certeza que reconheceram a pessoa certa pelo crime. Efrain havia sido condenado a seis anos e cinco meses de reclusão por um crime ocorrido em 2015. À época, ele foi denunciado por roubo, com uso de arma de fogo, após, na tarde de 13 de julho daquele ano, um homem armado roubar R$ 450 e um cartão bancário de um casal, que estava em uma trilha que dava acesso à praia. LEIA TAMBÉM 'Fotos que Condenam': Veja histórias de presos com base só em reconhecimento por imagens 'Fotos que Condenam': Saiba o que diz a legislação sobre o reconhecimento fotográfico e como acontece na prática Depois do assalto, o casal recebeu ajuda de um morador da região, que disse que o autor era um ladrão conhecido naquela área como 'Galego do Perequê'. Quando as vítimas estavam na travessia de balsas, Efrain, que também estava na embarcação, foi reconhecido como autor do assalto. A PM foi acionada, e no desembarque, ele foi preso em flagrante. O caso foi registrado na Delegacia Sede de Guarujá, e na unidade, ele foi reconhecido pelo casal mais uma vez. Apesar de explicar que não era o responsável, ele permaneceu preso. Depois, conseguiu liberdade provisória e foi absolvido em 1ª instância, mas o Ministério Público recorreu, e ele foi condenado pelo crime de roubo. Durante todo o tempo, familiares e amigos não desistiram de provar sua inocência. Na época do ocorrido, um conhecido de Efrain chegou a relatar que estava com ele em alto mar, em horário próximo ao do crime, porém, ainda assim o pescador foi condenado. "A família teve um papel muito importante. Eles sabiam quem era o 'Galego do Perequê' e o procuraram, achando uma foto na internet. Em seguida, entraram em contato com uma das vítimas e mostraram a foto desse suspeito, e na hora ela disse que já não tinha mais a certeza de que meu cliente tinha cometido o crime, porque o rapaz da foto parecia muito o ladrão", conta o advogado Gabriel Moherdaui Macedo, que representou o pescador. Macedo fez, então, o pedido de revisão criminal do caso, que foi aceito pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Com isso, as vítimas foram ouvidas de novo e confirmaram que passaram a não ter mais certeza de que tinham apontado a pessoa certa como autora do crime, além de ter sido ouvida uma testemunha que mostrou a foto do 'Galego' ao casal e ouviu esse mesmo relato de ambos. Segundo a defesa do pescador, o casal manifestou a dúvida perante o juiz, e os desembargadores votaram pela absolvição dele. "Portanto, a condenação exige certeza, quer do crime, quer da autoria, a qual, no caso, não ficou devidamente comprovada, a absolvição é medida que se impõe", concluiu a relatora. A decisão foi publicada nesta quinta (13), e o pescador solto na sexta-feira (14). Trauma Efrain relatou ao g1 que trabalha desde os 7 anos, quando pegava latinhas nas ruas para comprar um carrinho de mão. "Eu fui preso depois de um dia de trabalho, que acordei às 5h. Minha mão estava cheia de graxa [do barco], e eu ainda estava com cheiro de peixe. Eu falei que não era eu, mostrei meu celular com conversas que mostravam eu pedindo reboque do barco, mas não adiantou. Fui colocado inocente na cadeia", diz. O pescador se emocionou ao retornar para casa, depois de um ano preso. "Eu sempre preguei o bem. Trabalho na pesca desde quando vim para Guarujá. Trabalhei de pacoteiro para tirar minha carteira de pescador, já trabalhei como marinheiro para empresários, político, sempre fui trabalhador, batalhador e honesto. Sofri com uma injustiça, e vi que, na cadeia, muitas outras pessoas sofrem. Isso precisa mudar. Hoje, agradeço ao meu Deus maravilhoso por estar fora daquele lugar cruel, onde você é tratado como lixo", conclui. VÍDEOS: As notícias mais vistas do g1

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2022/01/15/pescador-e-absolvido-apos-passar-mais-de-1-ano-preso-por-crime-que-diz-nao-ter-cometido-tratado-como-lixo.ghtml


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