Novo limite de estrangeiros obriga Grêmio a rever seu planejamento de elenco para 2027

Com dez estrangeiros no elenco e contratos que avançam até 2029, Grêmio precisa antecipar decisões para se adaptar à redução gradual do limite por partida. Com...

Novo limite de estrangeiros obriga Grêmio a rever seu planejamento de elenco para 2027
Novo limite de estrangeiros obriga Grêmio a rever seu planejamento de elenco para 2027 (Foto: Reprodução)

Com dez estrangeiros no elenco e contratos que avançam até 2029, Grêmio precisa antecipar decisões para se adaptar à redução gradual do limite por partida.

Com dez estrangeiros no elenco, Grêmio já precisa antecipar escolhas para evitar problemas com a nova regra da CBF.

O Grêmio ainda está disputando a temporada de 2026, mas uma mudança aprovada pela CBF já coloca 2027 no radar do clube. A partir do próximo ano, o limite de estrangeiros relacionados por partida no futebol brasileiro cairá de nove para oito jogadores. A redução será gradual até chegar a cinco em 2030.

A mudança não significa que o Tricolor esteja proibido de manter mais de oito estrangeiros em seu elenco. O problema está na hora de montar a relação para cada partida. Atualmente, o Grêmio tem dez estrangeiros no grupo principal, sem contar Kannemann, que possui nacionalidade brasileira e, portanto, não entra nessa conta.

O problema não é apenas o número de estrangeiros

O ponto mais importante para o Grêmio é que a nova regra transforma o planejamento do elenco em uma questão ainda mais estratégica. Ter dez estrangeiros contratados não será necessariamente um problema; ter jogadores caros que não conseguem ser relacionados será.

Hoje, o clube já vive situações nas quais precisa escolher quem fica fora da partida. Contra o Palmeiras, por exemplo, Nardoni não foi relacionado justamente em razão da limitação de estrangeiros. A situação mostra, na prática, que a regra já interfere nas decisões do departamento de futebol antes mesmo da redução para oito.

E existe um detalhe que torna a discussão ainda mais importante: alguns dos estrangeiros que pertencem ao Grêmio têm contratos longos. Nardoni e Villasanti, por exemplo, têm vínculo até dezembro de 2029. Enamorado, Krovinovic e Noriega possuem contratos até dezembro de 2028, enquanto Balbuena, Braithwaite e Jovane Cabral têm compromissos que avançam até 2027.

Isso significa que o Grêmio não pode simplesmente esperar dezembro para decidir o que fazer. A próxima janela de transferências precisa ser pensada também sob a ótica da regra que estará valendo em 2027.

Pavón e Amuzu são os casos mais imediatos. Os dois têm contratos somente até dezembro de 2026, o que abre espaço para decisões naturais dentro do planejamento. O Grêmio já discutiu a situação dos jogadores, e especialmente no caso de Amuzu há dificuldades nas tratativas para uma renovação.

A questão, porém, não deveria ser simplesmente “quem é estrangeiro?”. O clube precisa analisar custo, desempenho, idade, posição, importância para Renato Portaluppi e possibilidade de reposição no mercado brasileiro. A nacionalidade, sozinha, não pode ser o critério para montar ou desmontar um elenco.

Grêmio precisa olhar para 2028 e 2029

O planejamento também precisa considerar que a regra ficará ainda mais apertada nos anos seguintes. Em 2028, serão sete estrangeiros por partida; em 2029, seis; e, em 2030, cinco, retornando ao número que vigorava antes da ampliação.

Por isso, o Grêmio corre o risco de entrar em um ciclo no qual precisará fazer escolhas sucessivas. Um jogador que hoje parece perfeitamente administrável dentro de um elenco com dez estrangeiros pode se transformar em um problema de composição daqui a dois ou três anos.

Ao mesmo tempo, seria precipitado tratar a atual quantidade de estrangeiros como um erro automático. O futebol brasileiro ainda utiliza bastante o mercado sul-americano, e o próprio Grêmio encontrou jogadores importantes nesse caminho. Villasanti, por exemplo, tornou-se uma peça relevante no clube, enquanto outros estrangeiros ainda estão construindo seu espaço.

O desafio da direção será separar os jogadores que realmente devem fazer parte de um projeto de médio prazo daqueles que podem perder espaço naturalmente. E isso envolve também os atletas que estão emprestados e podem retornar ao clube, aumentando novamente a quantidade de estrangeiros disponíveis para o departamento de futebol.

O Grêmio já passou por momentos recentes de excesso de jogadores estrangeiros e precisou administrar saídas, empréstimos e jogadores fora dos planos. Em 2026, por exemplo, Cristian Olivera, Arezo e Aravena foram emprestados, enquanto outros nomes deixaram o clube definitivamente.

Agora, a diferença é que o planejamento precisa ser ainda mais antecipado. O clube não pode montar um elenco para 2027 pensando somente no presente; precisa enxergar a regra de 2028, 2029 e 2030.

A oportunidade escondida para o Grêmio

Existe também um lado positivo nessa discussão. A nova regra pode obrigar o Grêmio a ser mais criterioso no mercado e abrir espaço para jogadores brasileiros, principalmente jovens formados no próprio clube. A própria CBF relacionou a mudança à necessidade de ampliar oportunidades para atletas brasileiros e à formação de novos talentos.

Para o Tricolor, isso pode significar uma oportunidade de acelerar processos que já deveriam fazer parte da rotina do futebol profissional. Se houver um jovem capaz de disputar posição com um estrangeiro de rendimento semelhante, o clube terá ainda mais motivos para olhar para dentro de casa.

O torcedor gremista não precisa enxergar a nova regra apenas como uma ameaça. O que ela exige é planejamento. Com contratos longos, jogadores emprestados e novas decisões de mercado pela frente, o Grêmio precisa saber exatamente quais estrangeiros pretende ter como protagonistas nos próximos anos.

E essa discussão começa agora, não em janeiro de 2027. O clube ainda tem tempo para tomar decisões, negociar saídas, avaliar renovações e preparar a transição. Quanto mais cedo fizer isso, menor será a chance de transformar uma regra conhecida há meses em um problema de última hora.

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